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há um vão
dentro de mim
que não me cabe
onde passam todos os pássaros
do tempo

vão
de janela
de uma palavra descabida
qualquer.
casa.
cerca.
poema.

vão de Maria
de Teresa.

onde andorinhas voam
palavras
e pousam em igrejinhas
desenhadas
nas portas.

a palavra
pousa
no vão do dia.

no vão noturno
dentro de mim
onde brota uma estrela
que nunca se põe ao fim da tarde
vão da memória

de latas incabíveis
rodando como rodas de carro
na rua
rodas de crianças
brincando.

outro dia me disseram
que enxergo poesia onde não existe
onde enxergo não existe totalmente

eu disse
meio vão
e voei
entre os galhos
ocos
outros da vida.

Cícero Almeida

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